sábado, 9 de junho de 2012

Moradores de rua: De quem é a culpa?


Quando chega o inverno as pessoas passam a enxergar os moradores de rua de outra forma. Isso porque morremos de frio dentro de nossas blusas gigantes e dentro de nossas casas embaixo de cobertores peludos. A temperatura lá embaixo e nós reclamamos de acordar cedo e de tirar a roupa para tomar banho, enquanto tem gente MORRENDO de frio na rua. E digo morrendo, não como uma hipérbole, de morte mesmo.

Tem aquelas pessoas que deixam o 'nojinho' de lado e levam roupas, comida e o que mais estiver ao seu alcance à esses seres desprovidos de residência. Essas pessoas esquecem as generalizações pejorativas e passam a ter pena dessas pessoas. Mas tem aquelas que apenas têm dó de dentro de suas casas e nada faz para ajudar o próximo.

É muito fácil julgar e falar que o indivíduo está na rua porque quer. Você o conhece? Sabe de sua história? Sabe o que fez com que ele fosse para as ruas e porque não arranja um emprego para ir trabalhar todos os dias como você? Sabe se realmente é mais fácil pedir do que ir trabalhar? Sabe como é passar por cima de todo orgulho? Você sabe onde está a família dele? Sabe por que ela não o procura? Ou sabe se ela tem condições de procurá-lo?

São muitas as perguntas e poucas as respostas.
Alguns estão nas ruas por consequência de suas vidas, outros por opção. "JURA QUE TEM GENTE NAS RUAS POR OPÇÃO?" Tem.

Existem aqueles que optaram estar nas ruas para usar drogas sem que ninguém os julgasse. Outros não aguentavam mais o preconceito com a sua opção sexual ou perderam uma pessoa querida e simplesmente desistiram da vida. Deixaram de ter sonhos e planejar futuros. Passaram a pensar apenas no hoje.
Quantas vezes vimos entrevistas com moradores de rua que cantavam muitíssimo bem, falavam o português invejavelmente e até línguas estrangeiras? Pessoas inteligentíssimas que de uma hora para outra cansaram de suas vidas, ou perderam tudo em jogos ou que tiveram um surto e mal sabem como foram parar ali ou quem eram anteriormente.

As drogas lícitas e ilícitas também levam muita gente para as ruas. Vide exemplo da Cracolândia em São Paulo. Jovens, idosos, crianças, mal vestidos, executivos. Ali não existe um melhor ou pior que o outro. Existe apenas o desejo incontrolável pela droga. E por ela, muitos deles largaram sua rotina e passaram a viver em função da droga. Nesse cenário, além da dependência química muitos desenvolvem o alcoolismo e daí por diante, mesmo que apareçam grandes oportunidades, a força de vontade para sair das ruas ainda não é suficiente.

As regras impostas pela sociedade carrega muita gente não só para as ruas como para o mundo das drogas, que se tornam um anestésico para o corpo e para a consciência. Pessoas que não aguentam a pressão de um emprego, de contas para pagar, de cuidar de uma família. Não por serem fracas, mas por a vida ter sido muito rude com elas.

Além da fome, do frio e das drogas os moradores de rua sofrem muito com a generalização de caráter pela marginalização existente em parte deles que furtam para se sustentar. Sem contar com a questão de higiene que deveria preocupar e muito a saúde pública, pois, essas pessoas além de terem a imunidade baixa por conta da alimentação deficiente estão suscetíveis à doenças por conta da situação precária onde vivem, geralmente bem sujo. O que contribui para a proliferação de diversas doenças como AIDS e tuberculose, que são as mais recorrentes, além de feridas como úlceras de pressão (escaras) que consomem a pele e a carne do local formando um buraco muitas vezes de forma irreversível. Vermes decompositores que atacam cadáveres também agem nessas pessoas que desenvolvem o que popularmente conhecemos como bicheira (MIÍASE).

Existem ONG's que levam roupas/cobertores/comidas para essas pessoas e abrigos que os acolhem para a dormida ou para cuidados de higiene mas não são muitos e as vagas também são limitadas. Quem assistiu ao filme "A procura da felicidade" com o Will Smith consegue ter uma noção disso.

Em meio à febre de compras coletivas surgiu uma iniciativa de alguns jovens que chama Mendigo Urbano, através do qual a pessoa pode, com a ajuda de outras, financiar um Kit Mendigo que garante ao morador de rua escolhido, uma cesta básica, roupas e um corte de cabelo. Críticos de plantão maldizem o projeto como uma esmola que não fará diferença. Bom, pode até não fazer a diferença, mas o que esses críticos estão fazendo para ajudar o problema?

Aliás, muitos desses que não ajudam são os causadores de 'atentados' a esses moradores de rua, como é o caso dos jovens que atearam fogo em um mendigo e o caso de envenenamento em BH.
Somos a favor daquela 'filosofia': 
"SE NÃO QUER AJUDAR, PELO MENOS NÃO ATRAPALHE".
FONTE:
E-mail de um amigo.